Como Calcular Frete Fracionado: fórmulas, tabelas e exemplos práticos
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Como Calcular Frete Fracionado: fórmulas, tabelas e exemplos práticos

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Aprenda como calcular frete fracionado com fórmulas reais: peso cubado, GRIS, pedágio e TDE. Exemplos práticos para rotas do Nordeste ao Sudeste.

Saber como calcular frete fracionado corretamente é uma das competências mais práticas de um gestor logístico ou financeiro. Sem esse entendimento, é impossível validar se a fatura da transportadora está correta, comparar cotações com parâmetros equivalentes ou negociar tabelas de forma inteligente.

Neste guia, você vai aprender cada componente do cálculo de frete fracionado, com fórmulas, exemplos numéricos reais e dicas para identificar cobranças incorretas.

Os componentes do frete fracionado

O frete fracionado não é um número único — é a soma de vários componentes. Entender cada um deles é o primeiro passo:

ComponenteO que éObrigatório?
Frete pesoCusto base calculado sobre o peso taxadoSim
GRISTaxa de gerenciamento de risco (% do valor da NF)Sim
PedágioRepasse das praças de pedágio da rotaSim
TDETaxa de Dificuldade de Entrega (por endereço)Às vezes
Ad valoremSeguro adicional para cargas de alto valorQuando contratado
DespachoTaxa administrativa por emissão do CT-eÀs vezes
ColetaTaxa de coleta no endereço do embarcadorÀs vezes

Passo 1: Calcular o peso taxado

O frete fracionado usa o conceito de peso taxado, que é sempre o maior entre:

  • Peso real da carga (em kg)
  • Peso cubado da carga (calculado pelo volume)

Fórmula do peso cubado

Peso cubado (kg) = Comprimento (cm) × Largura (cm) × Altura (cm) ÷ 6.000

O divisor 6.000 é o padrão ANTT para transporte rodoviário. Para transporte aéreo, usa-se 5.000 ou 6.000 dependendo da companhia.

Por que isso existe? Porque uma caixa de isopor muito grande pode pesar 5 kg, mas ocupar o espaço de 40 kg de carga densa. Cobrar pelo peso real seria injusto para a transportadora, que perderia receita pelo espaço ocupado.

Exemplos de cálculo de peso cubado

Exemplo 1 — Caixas de calçados:

  • Dimensões por caixa: 65 × 40 × 35 cm
  • Peso real por caixa: 8 kg
  • 20 caixas empilhadas em palete: 130 × 80 × 100 cm (total)
  • Peso real total: 160 kg
  • Peso cubado: (130 × 80 × 100) ÷ 6.000 = 173,3 kg
  • Peso taxado: 173,3 kg (maior)

Exemplo 2 — Equipamento industrial:

  • Dimensões: 90 × 60 × 80 cm
  • Peso real: 220 kg
  • Peso cubado: (90 × 60 × 80) ÷ 6.000 = 72 kg
  • Peso taxado: 220 kg (maior)

Exemplo 3 — Carga de tecidos em rolos:

  • Palete: 120 × 100 × 120 cm
  • Peso real: 180 kg
  • Peso cubado: (120 × 100 × 120) ÷ 6.000 = 240 kg
  • Peso taxado: 240 kg (maior)

Passo 2: Aplicar a tabela de frete peso

Com o peso taxado definido, aplica-se a tabela de frete da transportadora. As tabelas têm faixas de peso com um valor por kg decrescente — quanto mais peso, menor o custo unitário.

Exemplo de tabela (rota Fortaleza–São Paulo, valores ilustrativos):

Faixa de pesoR$/kg
Até 30 kgR$ 0,62
31 a 100 kgR$ 0,52
101 a 300 kgR$ 0,44
301 a 500 kgR$ 0,38
501 a 1.000 kgR$ 0,33
Acima de 1.000 kgR$ 0,28

Atenção: sempre verifique se existe um frete mínimo (valor mínimo cobrado independente do peso). O frete mínimo na rota CE–SP costuma variar entre R$ 80 e R$ 150.

Calculando o frete peso para o Exemplo 1:

Peso taxado: 173,3 kg → faixa de 101 a 300 kg → R$ 0,44/kg

Frete peso = 173,3 × 0,44 = R$ 76,25 → aplica frete mínimo
Frete peso final = R$ 110,00 (frete mínimo da rota)

Passo 3: Calcular o GRIS

O GRIS (Gerenciamento de Risco) é calculado como um percentual sobre o valor declarado da Nota Fiscal, não sobre o frete.

GRIS = Valor da NF × % GRIS

A alíquota de GRIS varia conforme o perfil de risco da rota e do produto:

Perfil de risco% GRIS típico
Rota de baixo risco, carga comum0,10% a 0,15%
Rota de médio risco0,15% a 0,25%
Rota de alto risco, carga eletrônica0,25% a 0,45%

Exemplo:

  • Valor da NF: R$ 12.000
  • GRIS da rota: 0,18%
  • GRIS = R$ 12.000 × 0,0018 = R$ 21,60

Muitas transportadoras têm um GRIS mínimo (geralmente R$ 15 a R$ 25) que se aplica quando o cálculo percentual resultar em valor menor.

Passo 4: Pedágio

O pedágio é repassado ao cliente conforme a tabela de praças do trajeto. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) regulamenta o repasse de pedágio no transporte rodoviário de cargas — ele deve ser repassado pelo custo real, sem margem.

A tabela de pedágio varia por:

  • Rota (cada rodovia tem suas praças)
  • Eixos do veículo (caminhão de 2 eixos paga menos que carreta de 5 eixos)
  • Tabela fracionada: como sua carga divide o veículo com outros, o pedágio é dividido proporcionalmente pelo peso

Referência: na rota Fortaleza–São Paulo, o pedágio total por eixo simples (veículo de 2 eixos) é de aproximadamente R$ 450 no itinerário completo. Para frete fracionado, o valor cobrado por kg varia entre R$ 0,05 e R$ 0,12.

Passo 5: TDE (Taxa de Dificuldade de Entrega)

A TDE é aplicada quando a entrega ocorre em um endereço com dificuldade de acesso — centros urbanos congestionados, ruas sem saída, condomínios fechados ou municípios do interior.

SituaçãoTDE típica
Capital, bairro acessívelSem TDE
Região central com restrição de trânsitoR$ 30 a R$ 80
Município do interior (sem agência)R$ 50 a R$ 150
Interior profundo (desvio de rota > 80 km)Por negociação

Sempre verifique se a praça de entrega tem TDE na tabela da transportadora antes de fechar a venda para o seu cliente.

Montando o cálculo completo: exemplo real

Cenário: Empresa de Fortaleza enviando lote de calçados para lojista em Guarulhos (SP).

  • 30 caixas: 65 × 40 × 35 cm cada, 7 kg cada
  • Peso real total: 210 kg
  • Peso cubado total: (65 × 40 × 35 × 30) ÷ 6.000 = 455 kg
  • Peso taxado: 455 kg
  • Valor da NF: R$ 18.500
ComponenteCálculoValor
Frete peso (faixa 301–500 kg a R$ 0,38/kg)455 × 0,38R$ 172,90
GRIS (0,18% do valor NF)18.500 × 0,0018R$ 33,30
Pedágio (rota CE–SP fracionado)R$ 42,00
TDE (Guarulhos, bairro acessível)R$ 0,00
Total do freteR$ 248,20

Custo por kg efetivo: R$ 248,20 ÷ 210 kg reais = R$ 1,18/kg Custo como % do valor da NF: R$ 248,20 ÷ R$ 18.500 = 1,34%

Erros comuns ao calcular o frete

1. Não considerar o peso cubado

Empresas que trabalham com produtos volumosos e leves frequentemente se surpreendem na fatura porque calcularam apenas o peso real.

2. Esquecer o frete mínimo

Para cargas pequenas e leves, o frete mínimo pode representar o dobro ou o triplo do que o cálculo por kg indicaria.

3. Não incluir o GRIS no custo logístico

O GRIS é muitas vezes esquecido no custo previsto, gerando diferença entre o orçado e o realizado.

4. Não conferir a TDE para destinos do interior

Destinos fora das capitais frequentemente têm TDE que não estava previsto no orçamento.

5. Comparar tabelas sem base equivalente

Duas tabelas com R$/kg parecidos podem ter GRISs, pedágios e frete mínimo muito diferentes. Compare o custo total, não apenas o frete peso.

Dica avançada: negocie por volume comprometido

Se sua empresa tem embarques regulares para a mesma praça, negocie uma tabela com desconto baseada no volume mensal comprometido. Transportadoras como a NBLOG oferecem condições diferenciadas para contratos com volume definido — a redução pode chegar a 15% no valor por kg em relação à tabela spot.

Quer simular o custo real do seu próximo embarque? Solicite uma cotação com a NBLOG e receba o cálculo detalhado com todos os componentes em até 2 horas.

Entenda também como o rastreamento da sua carga funciona desde o momento da coleta — para que você tenha visibilidade total do embarque que acabou de calcular e contratar.

Conclusão

Saber como calcular frete fracionado coloca o gestor logístico em posição de igualdade com a transportadora na hora de validar faturas, comparar cotações e negociar contratos. Os cinco componentes — frete peso, GRIS, pedágio, TDE e eventuais taxas adicionais — formam o custo total e precisam ser analisados em conjunto.

Não aceite apenas o número final da fatura: peça o detalhamento, valide o peso taxado e confira se o GRIS foi aplicado sobre o valor correto da NF. Essa disciplina, aplicada mês a mês, pode representar uma redução de 5 a 12% no custo logístico anual.

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Equipe especializada em logística B2B do Nordeste. Publicamos análises práticas sobre transporte de cargas, gestão de fretes e tendências do setor para profissionais que precisam de informação confiável.

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